goaheadtry
É difícil dizer a verdade, e no entanto, a verdade é que ela é quem me rejeita. Foram seus comentários sem tato e as piadas cruéis sobre questões que não acho engraçadas que me tornaram insensível a qualquer sinal de amor vindo de sua parte. Do mesmo modo que meu coração se retrai todas as vezes que ouço suas palavras duras, o coração dela se retraiu quando percebeu que não havia mais amor entre nós.
O Diário de Anne Frank.  (via goaheadtry)
delator
Eu tenho uma maneira diferente de demonstrar o que sinto, como me sinto e o quanto me importo. Muitas vezes, não dou a importância que deveria para algo, e depois de perder, fico aí, pelos cantos, lamentando. Outras vezes, cuido demais, e quando se vai, lamento o tempo perdido. Não tenho muita noção da quantidade de sentimentos que coloco em algo, o normal já é mais do que devia, às vezes passo dos limites.
A culpa é mesmo das estrelas?  (via delator)
delator
Confesso. Eu tenho chorado todas as manhãs. Um choro silencioso, atípico, quase de fora pra dentro. Fui obrigada a mastigar o mundo que me desceu goela a baixo, completamente indigesto, um refratário cheio de merda que estava no canto da geladeira desde quinta. Mastiguei tudo. Não vou falar de sonhos, desejos, planos, não vou falar de você, tais palavras não cabem aqui. Eu pude sentir entre os dentes o friccionar do alimento frio, um bolo de angustia a decepção. No estômago, um cemitério vasto de lembranças e da ridicularidade de um ser estúpido que acreditava no amor. Eu me enterrei ali, mergulhei no ácido que corroeu a minha pele e extirpou minha delicadeza. Por fim eu me comi, devorei tudo feito um animal e no final me senti bem, um ser tacanho com um semblante diluído, quase inexpressivo. Repito, estou bem. Os olhos ficaram mais tristes, ainda não estou pronta para seguir, ando na companhia dos meus livros e de velhos amigos, do silêncio, da palavra digitada que escorre pelos dedos e não me deixa mais chorar.
Elisa Bartlett.  (via delator)